Apt 11 – Bloco 11 – Ivan, o Malabarista Cubano

O apartamento do Ivan é por si só muito especial. Tem uma cortina azul marinho que lembra um pouco uma cortina de teatro. Em cima da televisão tem dois macacos de pelúcia, nas prateleiras vários bonecos de brinquedo e na parede um monte de fotos antigas e lindíssimas com malabaristas, palhaços e dançarinos. Os macacos, brinca, são “empalhados”. “Olha essa foto, todos dizem que eu pareço a Nany People”, ele brinca. E ele brinca muito e o tempo todo! A brincadeira enfeita a sua casa e a sua vida. Uma coisa que me chamou muito a atenção em praticamente todos os apartamentos dos circenses é a quantidade de brinquedos, de bonecas e de bichos de pelúcia que viram enfeites. É urso do lado do telefone, elefante em cima da mesa, boneca no sofá. O lúdico está presente o tempo todo, no banheiro, na cozinha, na sala, na vida. A casa do Ivan tem muitos circos dentro e entrar ali já te leva pra outra atmosfera. Um homem muito bonito e vaidoso, Ivan nos recebeu com o olho azul combinando com a blusa azul e contou uma história linda. Ivan, o malabarista cubano, é na verdade chileno: “me anunciam como cubano por causa das músicas do meu número, por causa da roupa”. É Filho de uma cigana que saiu do bando, porque perdeu a virgindade. A mãe de Ivan conheceu um taxista, engravidou e morreu no parto. Ivan conta – “ela já estava morta, aí ela acordou, perguntou se as crianças estavam bem, o médico disse, que eram gêmeos e pum, ela morreu de novo”. Ivan ficou então com o padrasto que se casou novamente. Maltratado pela madrasta foi embora com o circo e, aos 4 anos, conheceu sua família. “Eu falo que eu nasci com o circo, porque foi lá que minha vida começou”. Seus irmãos faziam malabares e ele também resolveu aprender “Aprendi sozinho, eu era bem pequeno e vendia balas no circo, no meio do espetáculo eu ia pra debaixo da geral com as balas e tudo e treinava malabares com espigas de milho, depois eu imaginava que batiam palma e cumprimentava a madeira e os pés que estavam pendurados”.

Ivan viveu a vida toda viajando, trabalhou em muitos circos importantes e foi um artista muito conhecido. Ele tem um jeito todo especial de jogar malabares, porque dança mambo e tem uma coreografia bem animada que é a sua marca registrada. Foi um dos primeiros professores de escolas de circo do Brasil e ensinou muita gente “Hugo Possolo foi meu aluno, os palhaços do Circo Zanni, dei aula pra muita gente!”. Ivan morou no estacionamento de trailer e passou por todo o processo da invasão e da construção do Cingapura. Conta que viveu momentos muito felizes no estacionamento, “fazíamos churrasco, cantávamos… éramos jovens!”. “Aí, de repente começamos a acordar com o barulho de estacas e construções, eram pessoas fazendo casas do lado dos nossos trailers”. Ivan nunca ficou muito no trailer, até hoje sempre que pode ele vai para algum circo, não consegue ficar muito no apartamento. Foi emocionante vê-lo dizer que tem saudades do picadeiro, que não dá conta de ficar fechado no apartamento, que precisa dos paetês, do brilho e da dança. Em vários momentos ele mexia o braço como se dançasse mambo e dava pra gente enxergar as claves voando da sua mão. O corpo dele fala o tempo todo. E ao final da entrevista convidamos Ivan para se apresentar na homenagem que aconteceria para Dover Tangará. Ele ficou muito feliz e fez questão de ser apresentado como Ivan, o malabarista cubano, 72 anos! 72 anos de muita vida e na flor da idade!

Priscila Jácomo

http://youtu.be/v8LP3sQwhig – Apresentação de Ivan, o malabarista cubano.

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