Apt 21 – Bloco 11 – Alcides Eldo – trapezista

Alcides Eldo Martins Klenquen, foi “trapezista de verdade”. Ele conta que existem os trapezistas e os “me agarra pelo amor de deus”.  Ele diz que foi professor de circo, e que isso é muito diferente dos monitores que existem por aí. Alcides é polêmico.

http://youtu.be/9GJrlxLbvGc

Desde o início da conversa diz que não vai contar milongas, mas verdades, vai contar a história real e não “plumas e paetês”. E durante toda a entrevista fala muito sobre a diferença de “ilusão” (plumas e paetês) da realidade. Diz que o terreno foi cedido provisoriamente porque Jânio Quadros, em 1985, já tinha assinado um documento liberando a construção da ponte Júlio de Mesquita, então, a qualquer momento os circenses teriam que sair. Este terreno é do Carrefour, aquele ali é do Abílio Diniz, mas essas negociações que eles fazem… Maluf prometeu e cumpriu e quem fez foi o Pitta”. Conta que chegou no terreno porque uma senhora chamada Zaida estava hospedada no seu apartamento, aí ele comprou uma barraca e trouxe ela pra cá, em seguida ele entregou o apartamento que morava no centro, pegou uma carreta e veio também. Alcides chegou a dar aulas de circo para as crianças do terreno, e tem inclusive uma foto dele dando aulas num jornal da época. Sobre a invasão ele diz “Aqui não houve invasão, os invasores mesmo somos nós, se não fosse pelos nordestinos, essa turma de circo não tinha nem onde morar”. “Nômade é uma coisa bonita, eles sempre foram sem terras”. “Esse terreno foi emprestado provisoriamente, a turma de circo fazia negociações e vendia o terreno”. “O Maluf não gostava de gente de circo, ele dizia que gente de circo era tudo vagabundo, que gostava de dormir até meio dia – ele era gozador”. Ele conta, que chegou a falar com Maluf que disse “Alcides, eu vou te colocar na mão do Dr Costa e do Sr Furlan. “o Dr Furlan disse e a turma de circo é muito pouquinha, tem que deixar adentrar mais gente, que é pra pleitear, não vai fazer prédio só pra turma de circo”. Alcides é maçon, então através da maçonaria abriu o Clube dos 60, onde ele conseguia leite e cestas básicas para doar para as crianças.

certidão da maçonaria

Durante boa parte da entrevista, Alcides está com uma garrafinha de coca-cola na mão que tem um pedaço de pau de vassoura encaixado, é a “clave” que ele fez para o “paputa”, seu neto mais novo. “Eu não queria, mas eles querem, eles fazem com amor, dei umas bolinhas pra ele e ele já fez assim, eles têm no sangue, tenho orgulho porque a qualquer momento estou de partida, tenho 74 anos”. Conta que o pai quase morreu de tristeza porque a esposa abriu uma fábrica de lingerie, “ele tinha necessidade da serragem”. Então ele comprou uma carreta, “vi que ele ia viajar, e viajou mesmo”. Todas as vezes que Alcides ia contar que alguém tinha morrido ele dizia que a pessoa tinha viajado. No início da entrevista não entendi… porque como todos são de circo, viajar é uma coisa comum… mas pra ele viajar é morrer. É poético mas ao mesmo tempo curioso porque talvez diga muito desta relação de amor/ódio que ele tem com a “turma de circo”. E ao final de entrevista ele conta sobre o monólogo que está apresentando chamado “O palhaço sonhador”, e quando pergunto, quem é o palhaço sonhador? “Infelizmente sou eu”.

E na semana seguinte a entrevista fomos assistir a apresentação do “Circo Klenquen” no Parque Ecológico Tietê.

O público espera a apresentação.

Toda a família no camarim

Família no camarim se preparando para a apresentação

Conhecemos a família toda inclusive o “paputa” que ia estreiar naquela apresentação. As imagens são lindas. Lá pude presenciar o que é o aprendizado no circo. Todos no camarim, se maquiando, se aquecendo e os menores por lá também. Enquanto a mãe passa sombra, batom, rímel, Ana Clara de 3 anos também passa sombra e batom, e brinca com as pombas do mágico e quase espanta todas para fora do palco e imita a irmã no aquecimento para a contorção… são imagens divertidíssimas… não dá p/ contar tudo por aqui…só vendo o documentário final.

Paputa e Ana Clara

E a entrada inesperada do paputa no palco… era sua estréia, depois de todo arrumado ele sai da cortina…mas o espetáculo não tinha começado… e a platéia começa a aplaudir e ele aplaude junto… foi lindo!

E lá pudemos assistir ao monólogo do palhaço sonhador.

Priscila Jácomo

O monólogo “O Palhaço Sonhador”

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por circoparaki

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