Sobre a impossibilidade de habitar o solo e viver no sonho.

Tudo é meio muito demais… as histórias são incríveis e quando são contadas parece que acontecem de novo na nossa frente, porque pulsam, porque estão muito vivas. Estas pessoas que são “Super-Homens”, voaram num trapézio, arriscaram a vida num globo da morte, domaram elefantes… é tudo meio grande demais. É como um sonho ou um filme do Fellini. É uma vida tão surpreendente que parece meio incompatível com a vida cotidiana. E de repente você se dá conta que é necessário habitar o solo. A morte do Ivan foi uma coisa muito forte. E agora a angústia é grande. Dover Tangará, o nosso “personagem principal”, aquele que juntou os três pesquisadores e deu o pontapé inicial para que a pesquisa acontecesse esteve sumido. O maior trapezista que o Brasil conheceu vive num trailer próximo aos prédios. Não sabíamos o que tinha acontecido e nem se estava vivo, pelo contrário, as notícias eram as piores. Hoje descobrimos que ele está internado em uma UTI de um hospital. Vítima de violência foi agredido e corre o risco de não poder andar mais. Foi agredido exatamente no terreno onde vivia. No terreno desta história toda. Tudo é meio muito demais! É muito de um lado e muito de outro! O maior trapezista que o Brasil já conheceu, irmão da mulher que conseguiu o terreno junto a prefeitura para que ele fosse destinado aos circenses, não conseguiu um apartamento ali e não tem onde viver. Vive ali por perto, em meio a violência e as drogas. E agora vítima de uma agressão pode não andar nunca mais, se sobreviver… é extremo demais!! Só nos resta torcer para que a porção super-herói deste filósofo voador faça com que sua recuperação seja tão impressionante quanto os voos que ele fazia. Certa vez, conversando com a Marília, ex-mulher de Dover e uma das primeira motoqueiras do globo da morte, depois que ela contou uma história bem triste comentei “nossa, como você é forte!” pensando naquela “força interior” que a gente diz quando uma pessoa passa por algo difícil… E ela me respondeu: “meu volante pesava oitenta quilos!” Eu ri, pensando que ela havia feito um ato falho já que eu dizia de uma “força interior” e ela comentava de uma “força de corpo”. Mas depois pensei: qual seria a diferença?! A força na realidade é uma só. Fico pensando o quanto Dover Tangará deve ser forte afinal ele voa e dá três saltos no ar. Talvez eu que esteja precisando me fortalecer porque viver isso e ao mesmo tempo assistir imagens dele, feliz, tocando violão e cantando emoções do Roberto Carlos está sendo muito difícil…

Priscila Jácomo

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