Apt 52 – Bloco 11 – Dona Maria

Dona Maria não é circense. Ela e seu marido, o sr Ferrugem, viviam no terreno antes dos circenses chegarem. “Não tinha Carrefour, não tinha rádio atual, o terreno era vazio, de um lado ficava a Concretex e do outro lado era um estacionamento.” Os dois eram caseiros do estacionamento. Assim que os circenses chegaram no terreno foram na casinha de dona Maria pedir luz e água. Ela ficou muito próxima da comunidade circense e guarda boas lembranças da convivência com eles. ” Eu adorava esse povo, era bom demais! O bar da Marília, os bingos… eu ficava no bingo até às 5 da manhã, um dia meu marido falou, ou eu ou a dona Marília! O senhor Romeu cantava junto com o Dover e o Mulambo, era uma festa! A gente foi muito feliz!” “Até hoje eu não pago nada para ir em circo, eles tem muita consideração comigo.” Dona Maria também presenciou a invasão e participou de todo o processo, viveu no alojamento e conseguiu um apartamento no Cingapura. Hoje continua vizinha da Marília, da Loren e do Puchy, do Pepin e da Florcita… “Começaram a fazer barracos, era muito rápido, aí vendiam os barracos! e o terreno era da prefeitura! Muita gente comprou barraco aqui, a sorte é que eles também ganharam o apartamento.”

No dia da entrevista com a dona Maria conhecemos a Mairam e a Rafaela, filha e neta da Amercy Marrocos e do falecido palhaço Mulambo. Foi uma tarde deliciosa de conversas no parquinho do Cingapura. Rafaela contou que havia sonhado com o avô. Dover era muito amigo do Mulambo e contou que a última vez que se encontraram cantaram juntos. Os dois eram muito parceiros, segundo o Dover, Mulambo tinha uma voz lindíssima, parecida com a voz do Nelson Gonçalves. Rafaela brincava com as amigas no parquinho e faziam estripulias, subindo nos brinquedos, ficando de cabeça pra baixo… perguntamos se ela fazia alguma coisa no circo ela contou que um dia se equilibrou sozinha na bola, contou para as amigas que o avô era palhaço e mostrou as fotos.

E para finalizar a tarde, ficamos ouvindo Dover e Marília cantarem ao som do violão do Dover. Adeus Guacira, Cartola, Roberto Carlos… até que eles começam “Eu sem você, não sei nem porque, porque sem você, não sei nem chorar…” uma música que tem tanto a ver com a história deles… e eles cantavam essa música alternando os trechos… e eu chorei um montão! Foi lindo!

Priscila Jácomo

Anúncios
por circoparaki

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s