Romeu Alves, o criador da MONGA

Romeu é de família circense. Seu pai era dono do Circo-Teatro Guaianazes, fundado em 1952. “O circo foi fundado em Guaianazes mesmo, só tinham 3 casinhas e a estação. Era o tempo da vaca gorda, a atração e a diversão era o circo. Não tinha televisão na época, tanto que até cantores famosos cantavam no circo, Tonico e Tinoco, Nelson Gonçalves…” Romeu trabalhou no circo do pai “fazia parada, fui trapezista, fiz número de argola, até suerê eu fazia.” “Meu avô morava no Rio, meu pai que foi atrás do circo, conheceu a minha mãe, aí minha avó pintou a cara dele e ele virou palhaço, o palhaço Bombinha.” Isso aconteceu por volta de 1940. “Na época, meu avô era um empresário muito forte, estava na cidade aí… O circo chegou!!! Hoje infelizmente… circo-teatro de família não existe mais…” Romeu conta que tem muita saudade do circo, “nasci no circo, aprendi tudo em circo, aí veio a decadência e apareceram outras oportunidades. Quando surgiu a coisa da mulher-macaco foi um estouro. Romeu foi o criador da “Monga, a mulher macaco”, atração do Playcenter por 12 anos. “O Flávio Cavalcanti (apresentador de tv) estava procurando o truque da mulher macaco mas ninguém tinha, aí meu tio Geraldo me deu a idéia “olha, acho que sei fazer isso aí, se a gente arrumar dinheiro a gente monta” aí ganhamos o dinheiro para fazer o aparelho e nos apresentamos. Foi um sucesso!! Aí começamos a vender a mulher macaco para feiras, festas de peão, aí veio o Playcenter, aí já era Monga a mulher macaco.” O truque da metamorfose existe há mais de cem anos e é um dos melhores truques do mágico, o ilusionismo. Romeu criou a Monga. O nome veio por acaso… “pensamos em Gonga, King Kong… aí eu disse, mas é mulher! aí veio Monga. Monga soou bem.” A Monga foi uma das atrações do Playcenter por 12 anos. Após o fim do contrato, Romeu continuou com a Monga em festas, feiras do interior mas precisou aposentar a brincadeira… ” a coisa começou a ficar violenta, puxaram até faca p/ a Monga, apontaram arma…era uma brincadeira!” Foi divertido ouvir esta história porque a Monga fez parte da minha infância e da infância de muitos amigos meus… Uma amiga brincou que até hoje, quando ela fica muito tempo sem depilar se chama de Monga!

Logo em seguida, Romeu fez uma parceria com um amigo e comprou um parque de diversões. Uma coincidência importante aconteceu… o parque era vizinho ao terreno dos circenses. “Cheguei aqui com o parque em 1991 quando a turma do circo já estava por aqui. Eu já conhecia quase todos. Quando me viram perguntaram se tinha ido passear ali, mas eu já tinha o parque.” “Sempre tive uma relação muito boa com todos eles, eles sabiam que eu era de circo. A época mais feliz da minha vida foi no circo.” Romeu é citado por vários dos entrevistados como um dos frequentadores do bar da Marília, disseram que ele, Dover e Mulambo cantavam até amanhecer por lá. Ele não vivia no terreno mas frequentava muito. ” A invasão aconteceu porque o povo começou a vender o espaço porque até então, tinha uma favela ali,tinha o terreno e aqui era só gente de circo. Aí virou uma favela. Aí eu comecei a ter medo de ir lá, tinha história que rolou até homicídio lá dentro. Aí estragou tudo… deixaram invadir, virou baderna..aí quem pôde sair saiu…eu parei de frequentar… começou a aparecer droga….” E Romeu finaliza: “é o progresso né, veio o viaduto e passou bem em cima, na cabeça do circense, a corda arrebenta onde? na parte pobre, já machucada…”

Priscila Jácomo

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por circoparaki

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