O Palhaço Xamego

Esta pesquisa foi cercada de coincidências desde o início… se vc descer lá comecinho do blog, vai ver que eu já previa que muitos encontros mágicos iriam acontecer… então…

A outra pesquisadora, Mariana Gabriel, é neta de um palhaço. Sua avó era o palhaço Xamego. Sim, uma avó-palhaço!! Uma avó-palhaço com uma história linda!! A mãe da Mari, dona Deise, fazia força de cabelo, seu tio também trabalhou em circo e seu bisavô era João Alves, dono do Circo Guarani.

Durante toda a pesquisa, perguntávamos para os circenses se algum deles conhecia a família da Mari… muitos diziam que sim e procuravam localizar parentes mas nunca conseguimos pistas muito concretas. A pesquisa tinha acabado, o documentário estava finalizado e só estávamos aguardando a estreia. Até que… numa manhã, dentro do metrô,  começo a ler o livro que Vic Militello havia me emprestado e chego no seguinte capítulo:

PALHAÇO

“O circo Guarani, de propriedade de João Alves, levava as melhores comédias musicais da época. Ele e sua famíla compunham o elenco.

João Alves era ensaiador e ator principal, suas filhas, uma era a mocinha e a outra a caricata, que é como chamavam a atriz que fazia a parte cômica do espetáculo. Interessante porque como o circo fazia uma apresentação por dia e sempre variada, chamava-se de caricata a atriz que também variava nos espetáculos. Não sendo rotulada como humorista, ela também, como o palhaço, se modificava a cada apresentação. Uma das falhas do João Alves era o palhaço da primeira parte. Ela assumiu esse ilustre personagem, por motivo de um grave doença que atacou inesperadamente seu irmão, um jovem simpático que foi deixando seus pedaços em todos os sentidos, na caminhada da vida.

Ela carinhosamente lhe dizia que não deixava o pai colocar substituto, ía fazendo o palhaço, quebrando galho, até o dia em que ele pudesse voltar! Nunca se identificou. Muita gente esperava, na saída, o palhaço que nunca apareceu. Aos mais insistentes, diziam que ele já havia saído…assim que terminara a sua apresentação.

A foto que não foi batida, que fiocu dentro dos olhos e ainda vejo quando rebusco dentro de mim nos meus velhos guardados. O palhaço amamentando o filho que chorava!

No camarim, o menino chorava, ela o amamentava mesmo sem tirar a maquiagem e trocar de roupa. Lá fora muita gente esperava, querendo conhecer o simpático palhaço, principalmente as moças. Engraçado como as moças se apaixonavam pelos palhaços, mesmo sem conhecer o rosto… o rosto é que desperta mais atenção primeiro, talvez a curiosidade por saber quem está atrás daquela maquiagem! ou mesmo pela necessidade de sorrir!

E ela continuou a ser o palhaço do circo, esperando a recuperação do irmão que não

aconteceu nunca… Criou seus filhos – acho que foram os únicos amamentados pelo palhaço!

Ela fez segredo desse trabalho nas praças onde o circo se instalava, nem mesmo os artistas comentavam.

Ela não sabe que sua imagem com as roupas e a maquiagem num passado distante, está sempre presente, marcada na lembrança de uma criança que viu o seio do palhaço!

O Circo Guarani fazia temporadas brilhantes em todos os terrenos centrais da cidade.

Os musicais no picadeiro eram alegres e coloridos e no final entravam todos os

artistas. O encerramento era sempre com um casamento que acontecida exatamente às 23:00 horas. Era comum que o espectador, que acompanhava a temporada, levar os filhos e marcar hora para ir buscá-los. Às 23:00 horas a hora do casamento.

Nessa época, o circo ainda não havia adotado o circo-teatro, eram poucos os que tinham palco. Quase todas as apresentações aconteciam no picadeiro a cena única dos musicais era preparada no intervalo da primeira para a segunda parte. As cenas dos dramas com mais de um ato eram mudadas nos entre-atos.

Se a peça era longa, então suspendia-se a primeira parte.”

Texto retirado do Livro TERCEIRO SINAL de Dirce Tangará Militello

Foi uma emoção só!! Em plena estação Sumaré eu chorava imaginando a cena: um palhaço amamentando uma criança… e não era qualquer palhaço, era a avó da Mari amamentando o tio da Mari!!!

Sim, com certeza em algum momento o palhaço Xamego iria aparecer!! é claro!! e que alegria ler este texto e descobrir que a Dirce Militello, idealizadora do terreno para os circenses, conheceu a avó de uma das pesquisadoras!!

Que alegria estas coincidências todas!!

O Pepin disse na entrevista dele que a Florcita era “palhaça-neta” e achei muito bonito pensar que tem uma família de palhaços dentro dela, e que isso dizia muita coisa e já autorizava de antemão que ela “pintasse a cara”. Sim, a Mari também tem essa família dentro dela… tem um palhaço Xamego dentro dela!!

 

 

 

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por circoparaki

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