A descoberta da História

A descoberta da História

A casa da Marília tem um charme especial. Cortinas coloridas, borboletas enfeitadas com lantejoulas nas paredes, flores enfeitando inclusive o banheiro e muitas cores. Tudo me faz lembrar o circo, é tudo muito cênico. E me chamou muita a atenção que durante as várias vezes em que fui visitá-la, a cada dia o sofá estava num lugar diferente. Tudo mudava muito! A configuração da casa nunca era a mesma! Para uma pessoa que viveu a vida inteira num circo, viajando, viver num apartamento realmente deve ser complicado! Aí, Marília muda os móveis! Coloca o sofá de um lado, a mesa de outro, o armário num outro canto. E comenta o quanto se incomoda com as janelas fechadas, com a porta fechada. Conta que quando todos os circenses estão em casa, todos ficam com as portas abertas! Eu já sabia que havia mais circenses ali mas não conhecia a história toda. Então Marília me conta tudo. O condomínio tem 4  apartamentos por andar. Marília vive em frente a um malabarista e é vizinha de um palhaço. No segundo andar vivia outro palhaço e um trapezista. No bloco atrás do dela, vivia um mágico, um loneiro e outro palhaço!  Era um circo mas em outra configuração! Não mais vizinhos de trailers mas vizinhos de apartamentos! Não mais viajando, agora, estacionados! E Marília me conta a história do estacionamento de trailers para circenses que Dirce Tangará Militello idealizou e que após a sua morte o Sated concretizou a idéia. E me mostra documentos incríveis de quando eles se organizavam para pagar a conta de luz. Recibos que formalizavam tudo “Declaro para os devidos fins que recebi de Pompom a quantia de….” tudo muito formal, afinal, Pompom era o nome do palhaço! E na lista dos pagantes: Cristina, Tanaka, Jane, Colosso, Pompom, Marcio, Cherozinho, Cida, Ramos… Todas as anotações muito bem guardadas para um dia documentar a história mágica que aconteceu ali.  Marília me conta que na época o Sated incentivou que cercassem o terreno já prevendo uma possível invasão… “Mas somos artistas… era difícil imaginar aquele terreno com grades!” E a invasão aconteceu, e muitos circenses acabaram saindo dali, os que ficaram, conseguiram os apartamentos do Cingapura e alguns vivem ali até hoje.

 

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