Mariana Gabriel

ATRÁS DE UM XAMEGO

Maria Eliza Alves dos Reis. Palhaço Xamego. Minha avó. Cresci ouvindo histórias da minha família no circo. Meu bisavô, João Alves, foi dono de um grande circo brasileiro ” O Circo Guarani”, mas quando nasci restavam apenas as lembranças de parentes e poucas fotos desse tempo que sempre me pareceu precioso na vida dos meus chegados. Minha mãe, que fez força de cabelo até seus 6 anos, conta com certa tristeza histórias da sua infância, dos dias difíceis que passou – ela viveu o início de uma época de decadência do circo no país provocada pela chegada da televisão; meu tio, acha graça daquela época, conta do número que fazia junto com a minha avó e minha mãe, chamado “ Os 3 Malucos”  e da disciplina necessária para os treinos dos saltos “fi-flap”, qualquer erro podia terminar com a marca de vara de marmelo na perna! Minha avó Xamego era brava.

Durante minha vida quis trabalhar com teatro, cinema e as histórias do circo – que sempre me encantaram- foram ponto de partida de tudo com que me envolvi até hoje…Imaginava o circo cheio, o cheiro da serragem do picadeiro, minha avó fazendo bala para vender, cuidando de um elefante, tirando piolho do macaco “Pescador”,  os cachorros sendo amestrados em francês, o sotaque castelhanado nas barracas…Os tempos áureos! Época da minha avó…Minha avó tinha professor particular e os aparatos do circo eram transportados de trem, trem fretado…  É intrigante imaginar o meu bisavô negro, em 1800 e alguma coisa, dono de circo, circo grande…

Na verdade, é na minha avó Xamego onde tudo começa . Ela era palhaço. E eu, há três anos, comecei a estudar essa arte.

Digo que estou atrás de um Xamego. Atrás desse reencontro com a minha avó, que faleceu em 2007. Um reencontro com tudo o que ela sempre significou para mim e com seus ensinamentos de vida que acredito serem 3: alegria, coragem e respeito ao próximo.

No final do ano passado recebi um convite de presente, que foi de encontro com meu momento pessoal,  participar de uma pesquisa sobre famílias circenses que moram hoje no Cigapura do Bairro do Limão, espaço que na gestão da prefeita Luisa Erundina, foi criado para ser um estacionamento de trailler de artistas de circo.

E aki estou hoje!

Mais pertinho, Xamego!

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