Dia D+

A Fundação Memorial da América Latina homenageou um de seus frequentadores mais assíduo, que se tornou amigo de vários funcionários da casa: o ex-trapezista Dover Tangará (67 anos), personagem principal do romance “O Filósofo Voador”, escrito por Eduardo Rascov, ganhador do ProAc de literatura de 2009, e editado pela Terceira Margem. Também foram homenageados Marília de Dirceu (79 anos), uma das primeiras mulheres a fazer globo da morte no Brasil, e Iracema Cavalcanti, integrante da velha-guarda do Circo-Teatro Guaraciaba, que está lançando o livro “A Vida Maravilhosa nos Circos-Teatros”.

O evento se deu em 19 de março de 2012, dentro da lona do Circo-Teatro Paratodos. O Palhaço Gelatina foi o mestre de cerimônias. A noite começou com a projeção do filme de ficção de curta metragem (10 minutos) “Disk Homem do Saco”. A obra nasceu da amizade de Dover Tangará com o estagiário do Pavilhão da Criatividade, Lucas Soares Gonçalves, estudante de Cinema na Universidade Anhembi Morumbi. Ele e sua equipe tinham que fazer um filme para uma série chamada “Lendas Urbanas”. Então resolveram chamar Tangará para ser o protagonista. Este, ator de circo-teatro desde que nasceu, tirou de letra.

Em seguida, foi projetado o documentário de 50 minutos “Entre a Lona e o Meio-Fio: o Voo que não Acabou”, produzido por um grupo de alunos de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), a saber, Leonardo Martin, Felipe Maeda, Ricardo Régener, Stefano Azevedo e Crenilda Abreu, sob a orientação do professor Renato Levi. A história desse filme começou quando Leonardo e Felipe procuraram o Centro de Memória do Circo, no começo de 2010, em busca de alguma sugestão de pauta para uma reportagem de rádio do curso de Jornalismo. A diretora do Centro de Memória, Verônica Tamaoki, então, contou sobre um grande trapezista, o maior do seu tempo (anos 60 e 70), que enfrentava agora o desafio de sobreviver como homem de rua em São Paulo. Mencionou que havia um livro sobre ele. Os desdobramentos levaram esse grupo a decidir fazer seu TCC (trabalho de conclusão de curso) contando essa história.

Após a exibição dos filmes, houve uma série de apresentações de velhos artistas circenses, todos amigos de Dover Tangará, Marília de Dirceu e Iracema Cavalcanti. Eles fizeram questão de homenageá-los com sua arte. Foram eles o malabarista “cubano” Ivan, de 72 anos, com seu incrível figurino, que inclui os novos cílios postiços recém comprados; o equilibrista, mágico e domador argentino Puchy e sua patner Loren, também argentina; o singelo (e engraçadíssimo) casal de palhaços Pepin e Florzita, ele mexicano criado na Colômbia e ela chilena; Camilo Torres, presidente da Abracirco, com o seu impagável número de “Carlito”; e a bela Tila, a Princesa das Mágicas. Com exceção de Camilo e Tila, todos os outros moram no Sem Terra, objeto da pesquisa que trata este blog.


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