onde será que eu estava antes de conhecer essa figura?

Conheci o Dover depois de todo mundo.

O Eduardo tem uma história extensa, já são anos ao lado do grande trapezista, escreveu um livro sobre sua história de vida… A Priscila o conheceu no ano passado durante os atendimentos que fazia enquanto trabalhava como fonoaudióloga no NASF do bairro do Limão. Todos compartilharam momentos e tiveram conversas inesquecíveis com o artista.

Até aquela altura do campeonato, com meses de pesquisa, não posso dizer que não tivemos grandes conversas entre uma entrevista e outra, mas confesso que fiquei besta ao assistir e acompanhar de pertinho a festa em sua homenagem durante o Dia D+, evento que aconteceu no Memorial da América Latina, no último dia 19 de março.

Operando a câmera, olhando através da lente, acompanhei a recepção e os abraços calorosos em cada amigo que chegava, Dover fazia questão de apresentá-los a mim, ao “público de casa” que podia e que poderá um dia assistir a esse material. Ele dialogava com a câmera, se divertia. E em pouco tempo o Circo Paratodos estava cheio.

Num determinado momento, vejo o Dover inquieto. Seu filho estava presente. Um filho com quem conviveu pouco e por quem parece ter grande carinho. Entrevistei o rapaz, muito rapidamente. Um pequeno depoimento sobre aquele momento. Ele disse estar contente por participar da festa apesar de nunca ter convivido com seu pai. Simples assim.

Começou o evento e os filmes foram exibidos. No documentário, fatos sobre a história de Dover. A questão da esquizofrenia colocada ao lado dos seus grandes saltos de trapezista. E ele ali se assistindo. Ouvindo frases duras de parentes próximos. Exposto. Ele riu e chorou. Muitos riram e choraram.

Ali ao seu lado e ouvindo tamanha história fiquei me perguntando onde será que eu estava antes de conhecer essa figura? Pessoa que me faz refletir tanto sobre a vida. Por onde será que caminha seu pensamento? Ele ,que já foi um grande artista de reconhecimento internacional, que já viveu na rua, quase como mendigo, e que morou em clinicas psiquiátricas? Vendo assim, a vida parece um grande loucura. Muitas frases suas nesse dia martelaram na minha cabeça…Num momento do documentário ele diz “Eu não sou daqui, meu filho! Eu já não pertenço a esse mundo…”

Dover é mais.

É, sem dúvida, figura que transcende e transforma aqueles que o acompanham.

Agora, falo por mim!

Por Mariana Gabriel

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