Eduardo Rascov

Não me lembro de ter ido a um circo na minha infância (atenção: não estou reclamando do meu tempo de criança, vivido em meio às estripulias da molecada, em rua de chão batido na periferia de São Paulo). Quando cresci e me tornei independente, nunca me interessei pelo que se passava debaixo de uma ou outra lona que via por aí. Meus interesses eram literatura, cinema, música, teatro, artes plásticas, dança. Nem desconfiava que, tradicionalmente, ninguém melhor que o Circo para integrar todas as artes, atualizando-as  para o grande público e fazendo a mediação entre o erudito e o popular.

Fui estudar Filosofia para entender o mundo, depois que a Teologia que me haviam ensinado na adolescência perdeu o sentido. Ainda não o entendi, mas continuo tentando. Paralela à procura da Explicação, comecei a escrever ficção. Era uma maneira de expandir minha busca, me multiplicar ao infinito, tendo como norte a trama dos afetos. Foi quando encontrei um personagem real, que me inspirou a escrever “O Filósofo Voador”. Vale a pena citar o que o poeta e editor Reynaldo Damazio escreveu na orelha desse livro:

“Os caminhos da ficção e da realidade se cruzam nas páginas desta obra, como se cruzaram os passos do jornalista Eduardo Rascov e do trapezista Dover Tangará. O primeiro em busca de uma boa história, com traços de certa humanidade perdida na brutalidade do cotidiano; o segundo, membro de uma tradicional família de circo e grande artista do passado, deambulando pelas ruas de São Paulo como um filósofo maltrapilho à cata da memória estilhaçada”.

Como jornalista trabalhei nas editoras Abril e Bloch e escrevi matérias para os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo e as revistas Brasileiros e Nossa América, entre outras publicações. Também escrevi livros institucionais, como “Vida é movimento”, contando a história da AACD. Atualmente, trabalho no Departamento de Comunicação Social da Fundação Memorial da América Latina. E continuo procurando a Explicação, agora por meio de boas histórias. Pois, como disse Damazio, “quais os significados da queda vertiginosa de Dover Tangará? Haveria ainda um lugar para a arte circense e sua galeria maravilhosa de personagens na cultura de tecnologia e de consumo que nos rodeia? Quais as fronteiras entre arte e vida? São questões que atravessam a narrativa {e a minha vida} como acrobacias num picadeiro de verdade”.

E que, de alguma maneira, o projeto “Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello” procura responder.

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