Projeto

“Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello – passado – presente – futuro”

                                                                                                                                       “A arte de deixar algum lugar/ Quando não se tem pra onde ir”
                                                                                                                                                                                                                (Chico Buarque e Edu Lobo)

APRESENTAÇÃO

Há bem mais de cem anos grupos de artistas perambulam pelo Brasil engajados no maravilhoso organismo auto-sustentável chamado Circo. Maravilhoso, sim, pois sua razão de ser não é maravilhar quem nele penetra? Ao longo do tempo, as cidades sempre os viram chegar e ir embora. Naturalmente, um coronário desse ethos viajante e da sua cultura centrípeta (voltada pra dentro) é o fato de que a sociedade envolvente pouco sabe desses homens, mulheres e crianças, o que gera curiosidade. Essa sede de saber dos sedentários permanece viva.

Como a roda do tempo não para, nos anos 70 e 80 a atividade circense tradicional entrou em crise e grandes circos pararam de rodar. A massificação dos produtos da indústria cultural, a manipulação industrial do negócio do lazer, a universalização do aparelho de televisão, a intensificação do ritmo de vida, a especulação imobiliária, a diminuição do valor de compra dos salários, a perda da inocência, a sedução do consumismo – muitas são as causas apontadas para essa crise. Não cabe aqui discuti-las.

Em São Paulo, “a cidade que não pode parar”, “a cidade que mais cresce no mundo”, como se dizia nos anos 50, 60 e 70, muitos circenses estacionaram seus trailers em um terreno vazio próximo ao Anhembi, às margens do rio Tietê, onde hoje é o Sambódromo. A localização era ideal, pois é pela Marginal Tietê que se chega à cidade. Era como se o local estivesse na entrada da cidade e ao mesmo tempo próximo de seu centro.

Não foi fácil conseguir autorização para tal uso do terreno. Por estar sempre viajando os circenses não ligavam para representação política, tradicionalmente não se articulavam para reivindicar ou faziam isso de forma precária. Foi preciso que uma atriz egressa do circo e com algum sucesso no teatro, cinema e televisão – Dirce Tangará Militello – lutasse bastante para oficializar uma situação que estava se configurando de fato.

Autêntica filha da barriga do circo, alimentada de pó de serra desde o dia em que nasceu, Dirce Tangará Militello passou a representar a classe como Diretora para Circo do Sindicato dos Artistas de São Paulo, o Sated. E foi em nome dele que Dirce iniciou negociação com os políticos e os administradores para os circenses terem um refúgio em São Paulo. Ela sonhava que aquele terreno se transformasse não apenas num estacionamento para trailers, mas também em um Museu do Circo, uma Escola de Circo e um Retiro de Artistas (uma moradia para velhos artistas de picadeiro, palco e tela que chegassem ao fim da vida sem teto, o que não é raro).

Uma parte dos circenses lá estacionava seu trailer quando parava de viajar, até conseguir contrato para trabalhar em outro circo. Para eles, ficar no terreno da Marginal era uma situação temporária. Mas havia os circenses que lá pararam de vez. Desistiam seja pelas dificuldades da profissão, que só aumentavam, seja pela  idade que chegava. O fato é que naquele “estacionamento de trailers” se desenvolvia uma experiência nova. Antigos nômades se fixavam, tendo seus pares ao seu lado.

Vários dos circenses que saíram do circo e estacionaram seus trailers no terreno do Anhembi foram ser professores no nascente Circo Escola Picadeiro, fundado pelo trapezista José Wilson em 1984. No final dessa década, a então candidata a prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, prometeu apoiar as revindicações dos circenses. Já prefeita, ela resolveu criar ali o Sambódromo paulista e propôs transferir os circenses para  outro terreno, igualmente às margens da Marginal. E lá foram os ex- nômades, viverem em um grande espaço de terra vazio, que se estendia do atual Carrefour Limão aos pés da ponte Julio de Mesquita Neto.

Era ali então que se daria o sonho da Dirce Tangará Militello. Seria um refúgio urbano para os circenses, esses nômades por natureza. Ali eles poderiam ficar com seus trailers estacionados, ali eles poderiam ensinar sua arte para crianças, ali eles teriam um memorial. Essa era a intenção do Sated, que ficou responsável pelo terreno em regime de comodato por tempo indefinido. Mas o sonho se transformou em pesadelo, pois em pouco tempo eles se viram rodeados por não circenses, que invadiram o espaço. Foram obrigados a construir uma nova sociabilidade, mas como? Que estratégias utilizariam para sobreviver?

Com a favelização do local e a construção de prédios do Projeto Cingapura, nos anos 90, muitos dos antigos circenses saíram de lá. Mas um grupo de dez famílias ficou. Como é o estilo de vida atual desses artistas que guardam na memória uma outra vida, feita de glamour popular e de deslocamentos? O deslocamento agora é na memória: como eles recriam o relato dessa passagem, dessa transição, que não foi só deles, mas de todo o circo e, por que não dizer, da sociedade brasileira?

Desde meados de 2011 a Secretaria Estadual de Habitação está reurbanizando o entorno desse Cingapura. Assistentes sociais se reuniram com lideranças para mediar conflitos e atender possíveis demandas. A Associação de Amigos manifestou o desejo de criar um espaço para atividades artísticas no projeto de requalificação do conjunto habitacional. Não seria hora de, qual a Fênix mitológica, ressurgir redivivo o Espaço Cultural Dirce Tangará Militello? Talvez como Ponto de Cultura, não seria importante uma iniciativa que ofereça atividades para a comunidade do Cingapura, entre as quais, aulas dos saberes circenses guardados nos trailers/apartamentos?

Esse projeto nasce então com a intenção de investigar, descobrir, recolher e contar essa história em áudio-visual, blog e texto. Ele quer escavar nesse sítio arqueológico simbólico e, como primeiro resultado dessa arqueologia do imaginário, formar um banco de dados, um acervo documental que possa servir para futuras pesquisas. Mas o projeto “Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello – passado – presente – futuro” pode ter outros desdobramentos e procura apoio para isso. O projeto quer editar um documentário e um livro. Mais que isso, o projeto sonha concretizar o sonho de Dirce Tangará Militello: um espaço cultural que dê atividade digna aos circenses que lá vivem e ajude a garantir a cidadania aos moradores em geral do Cingapura Limão, especialmente às crianças. E que funcione como uma usina aberta de criatividade que, a partir do lugar das artes circenses, possa interagir com a cidade.

É preciso ainda dizer que o “Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello – passado – presente – futuro”  enviará seu acervo para o Centro de Memória do Circo, que já manifestou apoio à iniciativa. O projeto também conta com ajuda do Sated-SP, protagonista de primeira hora dessa história esquecida. E da Abracirco, pois muitos de seus associados moraram ou ainda moram lá.


OBJETIVO

O projeto de pesquisa “Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello – passado, presente – futuro” tem como objetivo principal contar a história de uma comunidade circense sui genesis, que se formou em um lugar específico da cidade de São Paulo. Aproximadamente 300 circenses, entre artistas e familiares, em algum momento, estacionaram seu trailer num terreno do Bairro do Limão, próximo à Marginal Tietê, nos anos 80 e início dos 90 do século XX.

Era uma fase de transição da trajetória circense. O estacionamento de trailers tornou-se um inusitado nicho circense, lugar de fixação de toda uma geração de artistas históricos. Circenses que viveram uma experiência social, política e cultural que resume a transformação que o próprio circo brasileiro viveu no decorrer dos anos. O terreno, que em 1990 era um estacionamento para trailers de artistas que aguardavam novos contratos e abrigava em torno de 36 famílias tradicionais de circo, atualmente é um conjunto residencial Cingapura com 10 famílias circenses remanescentes, residindo no local.

Esse projeto tem a intenção de investigar, descobrir, recolher e contar a história deste terreno e dos protagonistas desta experiência. Serão realizadas entrevistas abertas com atuais moradores do conjunto de prédios, ex-moradores do estacionamento de trailer, além de outros personagens envolvidos diretamente na experiência, como representantes do Sated – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo, entre outros. O Sated é importante porque foi uma de suas diretoras – Dirce Tangará Militello – que não mediu esforços para oficializar o espaço. Ela morreu no  meio da luta. Já na gestão da prefeita Luiza Erundina, o terreno foi cedido aos artistas, finalmente. Foi então que eles criaram o embrião do Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello, em homenagem a quem mais lutou por eles.

O produto final do projeto “Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello – ontem – hoje – amanhã” será um banco de dados que estará disponível on line (em parte) e no Centro de Memória do Circo de São Paulo (na totalidade). Ele será constituído dos seguintes itens:

  • Ensaio escrito sobre essa experiência. O texto será uma apresentação e descrição do que o projeto encontrou, das circunstâncias históricas e desdobramentos atuais, sem pretensões etnográficas ou historiográficas.
  • Acervo documental: fotos, recortes de jornais e revistas com reportagens sobre o Espaço de Cultura Circense e os artistas, documentos de controle interno dos próprios circenses, documentos do Sated e da prefeitura.
  • Áudio-visual bruto com as entrevistas. O nº de entrevistados ainda é incerto, mas há 10 famílias remanescentes no Cingapura Limão, alguns outros circenses que estão vivos e residem em São Paulo, os representantes do Sated etc. O projeto calcula umas 20 entrevistas.
  • Áudio-visual pré-editado de no máximo duas horas, com trechos dos depoimentos, mesclados a imagens extras das casas dos circenses e dos arredores.
  • Blog do projeto. Será uma página work in progress, uma espécie de diário do andamento dos trabalhos. O projeto disporá nessa página o acervo digitalizado, trechos das entrevistas e os textos.
  • O projeto tem por objetivo, por fim, iniciar um movimento que motive as autoridades a implantar o Espaço Cultural Dirce Tangará Militello na comunidade e que ele use, entre outros produtores culturais, os próprios entrevistados para oferecer cursos e outras atividades culturais para os cidadãos do Cingapura Limão.

JUSTIFICATIVA

No início dos anos 90, um sonho de Dirce Tangará Millitelo se tornava realidade: era inaugurado em São Paulo o “Estacionamento de Trailler dos Artistas Circenses”, também nomeado “Estacionamento de Trailler Dirce Tangará Militello,” em homenagem à sua criadora. Artista nascida em tradicional família circense e reconhecida na televisão, no cinema e no teatro, Dirce Militello sempre batalhou pelos direitos da classe artística. Professora da escola Piollin, primeira escola de circo do Brasil, e responsável pela coordenação da área de circo no Sated – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo – idealizou este projeto que só foi concretizado dois anos após sua morte.

A idéia inicial, inspirada em programas que aconteciam fora do Brasil, era um espaço com uma pequena infraestrutura como um refeitório e alguns vestiários que abrigasse os trailers dos circenses enquanto estes aguardavam novos trabalhos. Com o apoio da prefeitura, os artistas haviam escolhido um terreno de ótima localização, no bairro do Limão, próximo à Avenida Marginal do Tietê. Mantendo-se fiel ao espírito de Dirce Tangará Militello, o Sated ampliou o projeto em 1990, não sem ousadia. Essa novidade foi anunciada pelo Boletim do Sindicato de 26 de outubro de 1990 nos seguintes termos:

O projeto iniciado pela saudosa companheira Dirce Tangará Militello está bem mais amplo e inclui além do Estacionamento de Trailers, a Escola Municipal de Circo, cuja solicitação e dados já trâmita pelo gabinete da prefeita Luiza Erundina, além do Museu do Circo, e mais tarde o Retiro dos Artistas em São Paulo”. O texto é assinado por Paulinho Delmond, que até hoje milita no sindicato e na área cultural.

No mandato da prefeita Luiza Erundina, o Sated, juntamente com a Secretaria Municipal da Cultural, inaugurou o embrião do Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello, tido na época como um verdadeiro marco para os trabalhadores da área. Estava se consolidando ali um espaço de apoio aos artistas itinerantes, que vivem em lonas e não têm casas, e à classe artística em geral.

Circenses de diversas famílias tradicionais do Circo Brasileiro estacionaram ali seus trailers. Na lista de moradores figuravam alguns dos grandes nomes do Circo Brasileiro como a família Esbano, Amercy Marrocos, Marília de Dirceu, Dover Tangará, Armando e Alcides Klenquen, o malabarista Ivan e os palhaços Mulambo, Fon Fon, Pepin e Florcita. Pelo menos 36 famílias circenses eram cadastradas como moradoras fixas do espaço, conforme documento de controle de pagamento da conta de luz coletiva. No auge, cerca de 300 circenses passaram por ali. O Sated prestou o apoio possível, coordenando as inscrições e ajudando na organização do espaço. Orientou os circenses a plantar, a cuidar do terreno e a dividir os pagamentos de água e de luz para que eles se adaptassem mais facilmente a essa nova “infraestrutura”. Um documento de 24 de setembro de 1990, intitulado “Normas e Critérios de Ocupação do Estacionamento para Trailler Dirce Tangará Militello”, orienta os circenses nesses termos:

Os espaços serão numerados em forma de lotes padronizados e cada ocupante só terá direito a área necessária para instalação de seu trailler e equipamentos, sendo a medida de cada lote 10 metros quadrados.”

“Poderá ser solicitado pelo sindicado um telefone comunitário para uso dos moradores.”

“O período de ocupação será de 4 meses podendo ser renovado o período mediante autorização do sindicato, sendo permitida a saída para cumprimento de contratos e posterior volta mesmo dentro de período corrente.”

Outra orientação importante foi a de murar o terreno e fechá-lo com um portão. Segundo alguns relatos de atuais moradores, isso não aconteceu porque “nós artistas não conseguimos ficar presos, precisamos ver pessoas”. O fato é que, por uma série de fatores políticos, econômicos, sociais e culturais, intrigas e disputas desleais, o projeto não foi adiante. O crescimento desordenado da cidade, o caos urbano acirrado pela especulação os engoliu. Após pouco tempo o terreno foi invadido, “virou uma favela”. Com a “invasão” a maioria dos artistas fugiu, pois “a convivência foi muito difícil”. Tempos depois, os poucos circenses que permaneceram no espaço foram novamente desalojados, ali seria construída uma nova ponte sob a marginal Tietê, a ponte Júlio de Mesquita Neto, e todos os moradores, circenses ou não, foram transferidos para alojamentos agora com a promessa de que seriam construídos prédios, o projeto Cingapura do então prefeito Paulo Maluf. Informalmente, os circenses passaram a chamar o local de “Sem Terra”, costume que permanece até hoje.

Dez famílias circenses foram consideradas aptas pelo governo a receber um apartamento do Cingapura. Atualmente, o conjunto de prédios coloridos à beira da Marginal Tietê é um inusitado nicho circense, lugar de fixação de representantes de toda uma geração de artistas históricos, diversas famílias tradicionais ainda morando juntas, em uma nova condição, não embaixo da lona, não itinerantes e não sozinhas, agora vivendo na cidade e convivendo com não circenses.  Essa condição faz com que o Cingapura Limão atraia novos circenses, artistas que param de viajar e resolvem comprar um apartamento no conjunto para “para viver juntos de seus pares”.

É também o lugar onde vive Dover Tangará, o maior trapezista da história do circo brasileiro. Por estar internado quando o pessoal da prefeitura passou para cadastrar os moradores dos trailers, ele não ganhou um apartamento. E teve o trailer destroçado pelas escavadeiras. Tornou-se um morador de rua. Apesar de tudo, Dover passa a maior parte do tempo entre os prédios do Cingapura. Atualmente ele voltou a dormir dentro de um trailer, comprado com o dinheiro que ganhou do Prêmio Carequinha. Há um livro, escrito por Eduardo Rascov, “O Filósofo Voador”, que conta a história do trapezista e da sua ex-esposa Marília de Dirceu, que vive até hoje no Cingapura Limão. No romance ela é chamada de Marília Rapunzel por suas longas tranças e por viver nas alturas com o príncipe do trapézio.

A importância do resgate histórico desse espaço e dos relatos dos protagonistas que viveram essa experiência social, política e cultural é evidente. É preciso dar voz a esses sujeitos esquecidos da histórica recente do circo e da cidade. Por meio das histórias dos artistas circenses, ex-moradores do Estacionamento de Trailler Dirce Tangará Militello, acabamos esbarrando na própria história das transformações que o circo viveu no Brasil.

Da lona que significava a itinerância ao “circo-novo”, com a chegada das escolas de circo a São Paulo – o que significou “estacionar o trailer” e como foi isso para estes artistas? Como eles se organizaram dentro desta nova realidade? De “estacionados” a moradores? O que significou deixar de ser nômade? Como se adaptaram às dimensões locais? Praticamente todos os circenses que ainda vivem no conjunto de prédios são professores de escolas de circo até hoje. As transformações que ocorreram na produção circense brasileira tiveram um efeito direto no modo de viver destes artistas.

Sabe-se que a organização do trabalho circense e o processo de socialização, formação e aprendizagem constituíam um conjunto, eram articulados e mutuamente dependentes. Não se tratava de organizar o trabalho de modo a produzir apenas o espetáculo, tratava-se de produzir, reproduzir e manter o circo-família. Se a criança era inserida desde cedo nas lides circenses sua formação como artista e cidadão se dava debaixo da lona. Com as transformações ocorridas neste contexto, todo um modo de viver foi transformado também, isso fica óbvio, mas será que alguns resquícios do circo-família não permanecem ali? Afinal, não é a vivência circense muito mais um devir criativo do que uma experiência estática?

Por fim, o que justifica esse projeto é a certeza de que ele é fonte inspiradora inesgotável e colherá material não só para o aqui proposto, mas terá desdobramentos em um documentário e livro aprofundados e, especialmente, na revitalização em novos moldes do Espaço Cultural Dirce Tangará Militello.


METODOLOGIA

Este projeto envolve uma pesquisa de investigação qualitativa. Serão feitas visitas de campo no Cingapura Limão e nas residências, trailers ou circos nos quais se encontram ex-moradores do local. Nessa ocasião, será feito um levantamento de dados e uma pré-entrevista.

Serão realizadas entrevistas abertas com os protagonistas da história com objetivo de obter relatos sobre as experiências que viveram enquanto eram moradores do terreno para trailers Dirce Tangará Militello e como eles se relacionaram com as transformações que ocorreram.

As entrevistas serão feitas pessoalmente, gravadas e filmadas. O material de vídeo será pré-editado em um DVD de até duas horas.  Serão observados preceitos da História Oral neste trabalho, a saber, a elaboração de um roteiro geral de perguntas e a valorização da Memória enquanto produtora de um imaginário próprio que não está, necessariamente, colada na realidade.

As fotos e outros documentos relevantes obtidas ou emprestadas pelos moradores serão digitalizados.

Entre os entrevistados, temos:

  • Marília de Dirceu (Pereira Pinto). Seu avô já era circense e sua neta também é. Portanto, são seis gerações de circenses na família. Marília nasceu no Circo Garcia, em 1933. Marília não só estacionou seu trailer no Espaço Dirce Militello como abriu um bar e restaurante nele. Ela ganhou uma lona da Carola, dona do Circo Garcia, e montou um salão a partir do trailer. O Bar da Marília tornou-se famoso no mundo circense. O bar fechou, mas ela mora lá até hoje.
  • Dover Marques Ribeiro, o Dover Tangará, ex-trapezista da ilustre trupe Irmãos Tangará. Irmão da Dirce Tangará Militello. Atualmente, vive em um trailer estacionado em um terreno baldio, ao lado de um ferro-velho, nos Sem Terra. Marília de Dirceu, sua ex-mulher, o alimenta e lhe dá apoio. O livro “O Filósofo Voador” conta a sua história.
  • Membros da família Sbano
  • Alcides Edo Klenquen Martins e sua esposa, Carmem, chilenos. Ele é ex-trapezista.
  • Armando Klenquen (o palhaço Puchy), chileno, irmão de Alcides, e a esposa Loren, argentina. Os irmãos representam grupos rivais. Sim, embora poucos, os circenses estão divididos no Cingapura Limão. Puchy também dá aulas de circo em projetos da prefeitura.
  •  Amercy Marrocos, de família tradicional de circo, ex-mulher do palhaço Mulambo (Jaime Rodrigues da Silva), que faleceu recentemente. Fundadora da Escola Piolin, em 1979. Ex-diretora artística do programa infantil Bambalalão, da TV Cultura.
  • Pepin e Florcita (casal de palhaços). Atualmente, dão aulas de circo em projetos da prefeitura. Ele é mexicano, mas passou muitos anos na Colômbia, antes de chegar ao Brasil. Ela é chilena.
  • Ivan, grande malabarista. Também chileno, mas se apresenta como “El malabarista cubano”.
  • Romeu, da família Alves, tradicional de circo. Ele tem um parque de diversões no CTN – Centro de Tradições Nordestinas, vizinho do Sem Terra.
  • Glória, que foi casada com o palhaço Xispita. Atualmente todos os filhos trabalham em circo e ela vende churros na Academia Brasileira de Circo.
  • Carmem, mulher do palhaço Cherozinho (falecido), que foi diretor da área de circo no Sated, no início da gestão de Lígia de Paula.
  • Dona Maria, pioneira no terreno. Trata-se de uma não circense que deu apoio aos primeiros artistas que chegaram no Sem Terra.
  • Lígia de Paula, presidente do Sated-SP (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões).
  • Paulinho Delmond, diretor do Sated-SP, que escreveu para o Boletim do Sated várias matérias sobre o Espaço de Cultura Circense Dirce Tangará Militello.
  • Bel Toledo, da Cooperativa Nacional de Circo, que atuou junto ao Circo Escola Picadeiro no momento em que ele recebia os primeiros circenses.
  • Autoridades que estiveram envolvidas na cessão do terreno por comodato ao Sated para ser usado em benefício dos circenses.


CRONOGRAMA

Mês 1 – pré-produção: pesquisa, levantamento das histórias e dos registros iconográficos, coleta dos documentos.

Mês 2, 3, 4 e 5 – captação das histórias (entrevistas)

Mês 6 e 7 – produção do texto e edição do vídeo

FICHA TÉCNICA

Proponente – Eduardo Cesar Rascov
Escritor e jornalista. Autor do romance “O Filósofo Voador”.

Eduardo Rascov é formado em Filosofia (USP) e Jornalismo (PUC-SP). Estudou também Letras (USP) sem completar o curso. É autor do livro “O Filósofo Voador”, em que romanceia aspectos da vida de Dover Tangará, ex-grande trapezista de família tradicional de circo – os Tangarás – que hoje sobrevive à própria sorte, abandonado pela família, pelo circo, pelo poder público, pela sociedade. A obra ganhou o edital de literatura do PROAC de 2009 e foi publicado pela Terceira Margem Editora. Como pesquisador e autor institucional escreveu “Vida é Movimento”,  em que conta a história da AACD (Associação de Apoio às Crianças Deficientes), publicado pela Gabinete Cultural, e um livro inédito e ainda sem título em que narra a história do cursinho Anglo Vestibulares.

Como jornalista, foi chefe da sucursal da Editora Bloch em São Paulo, atuando nas revistas Manchete e Amiga. Na Editora Abril, trabalhou nas revistas Contigo e Veja SP. Colaborou nas revistas Brasileiros, Galileu, Nova Escola, Marie Claire e nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e jornal da tarde, entre outras publicações. Atuou na formação do acervo de História Oral do Museu da Imigração de São Paulo. Atualmente, é assessor de comunicação da Fundação Memorial da América Latina onde, entre outras funções, edita o site da instituição.


Mariana Gabriel
Bisneta de João Alves, dono do extinto Circo Guarani, neta do palhaço Xamego
Formada em Comunicação Social/Cinema pela FAAP-SP

Mariana Gabriel pertence a uma tradicional família de circo que deixou a lona antes dela nascer. Participar dessa pesquisa é para ela, portanto, resgatar um pouco da sua história e identidade. Além de pesquisadora, é documentarista, atriz, palhaça (Paçoca) e produtora.

Formação e especialização por áreas:

Fotografia – cursos com Walter Firmo, Lucio Kodato, José Augusto de Blassis, Alziro Barbosa;  Interpretação para Cinema – no Studio Fátima Toledo;
Interpretação para Teatro – com Sergio Ferrara e Helio Cícero;
Clown – Gabriella Argento e Bete Dorgan.

Atividades profissionais:

Assistente de montagem do editor Maximo Barros;

Diretora, Roteirista e Montadora do curta-metragem Iara do Paraitinga, seis prêmios no IV Curta Santos, classificado no Festival de Cinema de Brasilia;
Assistente de Câmera nos longas-metragens Tapete Vermelho e Bodas de Papel;
Assistente de fotografia nas produtoras Meliés, DEBRITTO e Pan Filmes;
Operadora de Câmera no Histórias do Esporte, programa mensal da ESPN Brasil;
Ministrante de workshop de interpretação para cinema Oficinas-Pagu em Santos;
Produtora da Caravana do Esporte, programa mensal da ESPN Brasil;
Videorreporter do programa Social Clube da ESPN Brasil;
Pauteira do Manos e Minas, programa semanal da TV Cultura;
Produtora do departamento de Radicais, programas de TV e rádio da ESPN Brasil.

 

Priscila Jácomo

Atriz e Palhaça (Brigite Bordô) pelo Teatro Escola Célia Helena e Produtora Cultural
Fonoaudióloga formada pela PUC-SP.

Priscila Jácomo estudou e trabalhou com importantes nomes do teatro e do circo não só do Brasil, como Roberto Lage, Ednaldo Freire, Renato Borghi, Nelson Baskerville, Beatrice Piccon Vallin (França), Phillipe Gourdard (França) e Mario Bolognesi. Como palhaça, estudou com Cristiane Paoli Quito, Bete Dorgan, Esio Magalhães, Ricardo Puccetti, Luis Carlos Vasconcelos, Chacovachi (Argentina) e Léris Colombaione (Itália). Estudou improvisação com Ricardo Beherens (Argentina), Pablo Pundick (Espanha), Sérgio Dominguez (Chile) e Gustavo Miranda (Colômbia).

Em 2008 Priscila Jácomo criou o número solo “O ET” com orientação de Esio Magalhães e desde então o apresenta em cabarés de São Paulo e do interior. Atua desde 2006 como palhaça em hospitais da rede público de São Paulo pela ONG Operação Arco-Iris, com supervisão artística de Esio Magalhães. Fez parte do núcleo de pesquisa do Grupo XIX de Teatro “O Ator Dramaturgo” que resultou no espetáculo “Macondo” com direção de Janaína Leite e Ronaldo Serruya.

Participou como atriz e dramaturga da cena curta “Pronto para Mudar”- vencedora dos Festivais de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto em Belo Horizonte e do Festival Dulcina de Moraes em Brasília em 2010. Participou como atriz e dramaturga do espetáculo “Pronto para Mudar” dirigido por Juliana Sanches e Janaína Leite, contemplado pelo PROAC que ficou em temporada no Centro Cultural São Paulo em maio de 2011.

Priscila Jácomo é também produtora do “Quintal de Criação” desde 2008, espaço de pesquisa e cursos de palhaço e improviso do “Jogando no Quintal”(www.jogandonoquintal.com.br), espetáculo que intensifica a essência da arte do palhaço – a improvisação.  A atriz, palhaça, produtora, pesquisadora e fonoaudióloga já produziu cursos e espetáculos de artistas como Omar Argentino, improvisador, Frank Totino, improvisador canadense e Léris Colombaione, palhaço italiano.

Como Fonoaudióloga atua em um dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), dentro do Programa de Saúde da Família, no bairro do Limão, em São Paulo. O NASF é um programa federal de Saúde cuja equipe interdisciplinar não fica esperando o enfermo procurar o serviço médico, mas vai até a comunidade, descobre o “doente” no sentido amplo e o ajuda a se “curar” físico e socialmente. Foi desempenhando essa função que Priscila Jácomo descobriu um ex-trapezista vivendo em um fusca abandonado, além de vários outros antigos circenses morando no Cingapura do bairro do Limão.

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